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JN
O mesmo boa noite. A mesma retina. O mesmo dissenso. A mesma carícia. O mesmo disfarce. A mesma política. O mesmo silêncio. A mesma azia. O mesmo desejo. A mesma gastura. O mesmo boa noite. A mesma retina. A mesma retina. A mesma retina.
Escrito por
Maurício Guilherme Silva Jr.
às
20h10
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Luzia
Esperava o amor. Na fila. Na festa. Na praça. De tanto esperar, a fila passou, a festa acabou, a praça inundou. Não via Luzia que amor luzidio não gosta de fila, não brinca na festa, não dorme na praça.
Luzia na fila. O amor na calçada. Luzia na festa. O amor da enseada. Luzia na praça. Na lua, o amor. É a vida, Luzia. Na dança dos dias, amor fura fila, amor faz a festa. amor monta praça.
Escrito por
Maurício Guilherme Silva Jr.
às
14h38
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Traição
Ao entrar no quarto, encosta as muletas, senta-se na cama, respira o silêncio e liberta os olhos. Nas retinas, a imagem gasta de roupas sobre o chão frio: vestígios da noite última, quando o amor, sem que soubessem, despedia-se afoito. Em sua mente, como nos jornais de TV, fatos da semana anterior: o carro, os pés dela sobre o console, a paz, a curva, o fogo, a vasta inconsciência. Agora, apenas seus olhos, e o que mais lhe restara: o quarto, a alma, objetos e sombras. Ela o deixara, como a lua ao sol desavisado, e, à forma de Poe, para “nunca mais”. Lasciva, inteira, definitiva, entregara-se, na noite imensa, ao teso deus da eternidade.
Escrito por
Maurice
às
15h39
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