De palavra, enfim
     

JN

O mesmo boa noite.
A mesma retina.

O mesmo dissenso.
A mesma carícia.

O mesmo disfarce.
A mesma política.

O mesmo silêncio.
A mesma azia.

O mesmo desejo.
A mesma gastura.

O mesmo boa noite.
A mesma retina.

A mesma retina.
A mesma retina.



Escrito por Maurício Guilherme Silva Jr. às 20h10
[] [envie esta mensagem] []


Luzia

Esperava o amor.
Na fila.
Na festa.
Na praça.

De tanto esperar,
a fila passou,
a festa acabou,
a praça inundou.

Não via Luzia
que amor luzidio
não gosta de fila,
não brinca na festa,
não dorme na praça.

Luzia na fila.
O amor na calçada.
Luzia na festa.
O amor da enseada.
Luzia na praça.
Na lua, o amor.

É a vida, Luzia.
Na dança dos dias,
amor fura fila,
amor faz a festa.
amor monta praça.



Escrito por Maurício Guilherme Silva Jr. às 14h38
[] [envie esta mensagem] []


E o homem viajou à Lua

A sombra não tem peso
Porque a sombra
Escolta apenas
O desejo



Escrito por Maurice às 16h38
[] [envie esta mensagem] []


foi brincar com o mar: voltou já era noite: nem reparou naquele olhar: quando viu, morrera de novo: amor louco que só: de dia a poesia: de noite o açoite: e de novo o poema: de verso amuado: e de novo o poema: de verso moído: e de novo o poema: e de novo o dilema: ficar ou brincar: de novo com o mar?: ficar ou brincar: de noite no mar?: 



Escrito por Maurice às 19h24
[] [envie esta mensagem] []


A primeira vez

Tudo vermelho.

Como sempre imaginara
seu coração.



Escrito por Maurice às 15h03
[] [envie esta mensagem] []


Canção da areia

Não há pés que me marquem
a sílica e o baile.

Segredo passos
como quem veste medos.

Com o Mar
me canso de audácias.

Com o Sol
me reparto em várias.

(Na casa de vidro
celebro a lástima imprecisa
do Tempo)


 



Escrito por Maurice às 14h58
[] [envie esta mensagem] []


Casa de sexo

O corpo é a alma
do negócio.

Escrito por Maurice às 11h50
[] [envie esta mensagem] []


Celebridade instantânea

A mãe da modelo famosa
guarda as cinzas da filha
num potinho indiano,
brinde de Caras.


Escrito por Maurice às 11h21
[] [envie esta mensagem] []


O coveiro

Num repente,
das mãos lhe cai
a pá.

Jamais soube que,
finalmente,
construíra o próprio
lar.

Escrito por Maurice às 13h12
[] [envie esta mensagem] []


Fora da lei

O Opala parou
na esquina combinada.

Tudo perfeito.

Com exceção da Lua,
inconvenientemente cheia.

Escrito por Maurice às 00h20
[] [envie esta mensagem] []


Traição


Ao entrar no quarto, encosta as muletas, senta-se na cama, respira o silêncio e liberta os olhos. Nas retinas, a imagem gasta de roupas sobre o chão frio: vestígios da noite última, quando o amor, sem que soubessem, despedia-se afoito. Em sua mente, como nos jornais de TV, fatos da semana anterior: o carro, os pés dela sobre o console, a paz, a curva, o fogo, a vasta inconsciência. Agora, apenas seus olhos, e o que mais lhe restara: o quarto, a alma, objetos e sombras. Ela o deixara, como a lua ao sol desavisado, e, à forma de Poe, para “nunca mais”. Lasciva, inteira, definitiva, entregara-se, na noite imensa, ao teso deus da eternidade.



Escrito por Maurice às 15h39
[] [envie esta mensagem] []


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
CONTATO


HISTÓRICO
OUTROS SITES
UOL - O melhor conteúdo
Cinco Rios

VOTAÇÃO
Dê uma nota para meu blog!

RECOMENDAÇÃO
Indique este blog