De palavra, enfim
     
Traição


Ao entrar no quarto, encosta as muletas, senta-se na cama, respira o silêncio e liberta os olhos. Nas retinas, a imagem gasta de roupas sobre o chão frio: vestígios da noite última, quando o amor, sem que soubessem, despedia-se afoito. Em sua mente, como nos jornais de TV, fatos da semana anterior: o carro, os pés dela sobre o console, a paz, a curva, o fogo, a vasta inconsciência. Agora, apenas seus olhos, e o que mais lhe restara: o quarto, a alma, objetos e sombras. Ela o deixara, como a lua ao sol desavisado, e, à forma de Poe, para “nunca mais”. Lasciva, inteira, definitiva, entregara-se, na noite imensa, ao teso deus da eternidade.



Escrito por Maurice às 15h39
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